A vida não é uma ilha

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Há 4 anos moro numa ilha.

Deve ser porque passei boa parte da vida buscando o silêncio. 

Até mesmo quando morei em cidades grandes, como Rio, São Paulo e Curitiba, e tinha uma vida bastante agitada, acho que, no fundo, o silêncio seguia como uma meta invisível. Obviamente é difícil perceber esse desejo quando, além das longas jornadas de trabalho, em contato diário intenso com meus colegas, eu também gastava praticamente todas minhas horas de lazer fora de casa e buscava estar cercado de amigos continuamente.

Mesmo assim, em algum lugar dentro de mim, eu procurava um silêncio interno, difícil de se alcançar quando estamos em meio à multidão de pessoas que vivem nas metrópoles, com seus desafios de deslocamento, barulho constante, além de outras inúmeras distrações.

Um dia, em 2011, ainda morando em São Paulo, coloquei para mim mesmo a meta de ter uma vida mais tranquila. Inicialmente pensei em morar no interior de São Paulo. Conheci uma cidadezinha perto de Campos do Jordão, na divisa com Minas Gerais, terra do meu avô, chamada São Bento do Sapucaí. Então comecei a pensar como eu poderia atingir essa meta.

Minha primeira ideia foi vender meu apartamento e comprar uma casa nessa pequena cidade de apenas 10 mil habitantes. A ideia era passar a trabalhar em algo remoto, que me possibilitasse morar em qualquer lugar do mundo. Eu tinha entrado em um projeto de vendas online (uma startup de e-commerce) na época. Por que não começar por uma cidade charmosa e próxima de São Paulo? Em caso de necessidade eu poderia estar na cidade grande em apenas 3 horas de carro.

Porém, antes de colocar em prática esse meu plano “radical”, decidi tirar um tempo sozinho numa cabana próxima à famosa Pedra do Baú, que fica em São Bento. Seria o “MVP” do meu projeto. Aluguei por um mês uma cabana ao pé da montanha, próxima ao lindo vale que existe por lá. A ideia era fazer uma mistura de sabático com trabalho online em regime parcial.

O projeto era desafiador. Eu nunca havia ficado um único dia sozinho em toda minha vida.

Logo nos primeiros dias, estabeleci uma rotina. Trabalharia pela manhã, pois gosto de acordar cedo, e faria exercícios físicos e exploração continuada da região na parte da tarde.

A cabana era simples, feita de madeira, mas tinha o mínimo de móveis e utensílios necessários. Levei uma mala pequena com algumas roupas. Uma escada apertada dava acesso ao quarto de dormir, também apertado. No primeiro dia, como planejado, acordei, fui fazer café e trabalhei pela manhã. À tarde, fiz algumas caminhadas pela cidade. E a vida seguiu assim por alguns dias. Visitei também algumas cidades próximas e teve até um dia que saí sozinho à noite no mini-centrinho da cidade.

Porém, poucos dias depois seguindo a mesma rotina, um acontecimento mudou completamente meu planejamento.

Um súbito temporal após o almoço, me fez voltar correndo para a cabana. Na pressa de fechar as janelas, um vidro se estilhaçou e cortou um dedo da minha mão, rompendo um dos tendões. De repente, tudo mudou. Lá não havia tratamento possível. Tive que voltar para São Paulo, em busca de uma cirurgia.

No final, após a recuperação da cirurgia, meus planos mudaram. Acabei recebendo um convite para trabalhar em Curitiba, uma experiência excepcional com pessoas brilhantes que mudou minha vida, não só profissional, mas também pessoal. Lá conheci minha esposa. Casamos 3 anos depois.

Essa história para mim é emblemática, me mostra a coragem que tive de fazer algo que eu nunca havia feito. A determinação me conduzindo e assegurando o meu melhor em termos de planejamento, que incluiu a visão de fazer um teste antes de tomar uma decisão radical. A capacidade de me adaptar à absoluta falta de conforto, relativa ao meu padrão de vida em SP, encarando o isolamento social, nunca antes tentado, em função de um objetivo maior. Por fim, aprendi a aceitar a “mudança da mudança”, voltando atrás para replanejar tudo devido a um acontecimento inesperado.

Para inovar precisamos fazer algo diferente. Mas para isso é necessário ter coragem, determinação, planejamento, testes, adaptação, objetivos e, principalmente, propor e aceitar  mudanças.

Hoje moro numa ilha.

Nos próximos posts contarei como cheguei aqui.

 

Victor Sebastian é Coach de vida e carreira.
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